domingo, 29 de agosto de 2010












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e o tempo não parou.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Tic-tac enferrujado


A hora passa lenta, não tem interesse nenhum em se apressar. Sentada ali naquele café olha ao redor e sente falta de algo que perdera há algum tempo. Ajeita-se confortavelmente no sofázinho, degusta sem muito interesse o chocolate quente e continua a observar os rostos, sorrisos, conversas. Tenta, sem muito exito, entender os gestos, atitudes, posturas, ou qualquer outra coisa naquelas pessoas que não conhecia mas que compartilhavam seu vazio só por estarem no mesmo espaço tomando chocolate e comendo um pedaço de torta. O relógio é vagaroso, seu tic-tac parece enferrujado e já não bate como quando era novo.
Entra então um casal aos risos, apaixonados. Ele é alto, moreno, olhos claros, cabelos lisos, um bom porte físico. Ela, mediana, morena também, cabelos ondulados, olhos escuros e expressivos. Eles assumem a forma concreta do amor em seus gestos, risos, beijos, abraços, são únicos naquele lugar de tantos. São únicos na sua forma de amar, no seu jeito especial de não ligar para os olhares acusatórios, as palavras mal intesionadas, o ciúmes bobo. Olham-se com uma cumplicidade invejavel, abraçam-se como se o mundo todo fosse acabar naquele instante, conversam sem notar que em volta há mais dezenas de pessoas que hoje não sentem um terço de toda aquela emoção exalada. A cena dos dois era fascinante, tão felizes! Mas o relógio vagaroso volta a funcionar como novo e seu tic-tac é mais forte que nunca. Corre com o tempo, dá voltas descontroladas no destino.
Ela dá um gole final no chocolate deixa a torta pela metade e depois de meses observando a mesma cena resolve levantar e tentar algo novo.