sábado, 17 de setembro de 2011

A versão nova de uma velha história

    Hoje a lua não apareceu, o céu estava escuro e a noite fria, mas não choveu. Não caiu uma gota sequer apesar das nuvens carregadas anunciarem o dilúvio estava por vir. Caminhava sozinha pela rua conhecida, cantava para encher seu coração de alguma coisa, para não voltar vazia, seca de esperanças, sonhos e desejos. Às vezes não é preciso palavras, gastar vocabulário à toa para dizer o que o corpo e os olhos mostram explicitamente e assim sendo tão cruel quanto uma palavra.
     Hoje não choveu e ela não chorou. Não se permitiu ficar batendo a cabeça se perguntando por que, estava nítido. Incrível como o ser humano consegue ir a dois extremos num tempo tão curto, sair de um estado de gloria pra outro de tristeza por obra um fechar de olhos. Como diria Cazuza“As paredes do meu quarto vão assistir a versão nova de uma velha história, e quando sol vier tocar minha cara com certeza você já foi embora (...). Outra vez vou me esquecer, pois nessas horas pega mal sofrer”.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Defeito de fabrica

    Risco no bloquinho amarelo um emaranhado de linhas descontinuas, traço vários caminhos que não se econtram, não fazem sentido, não entram em harmonia com os rabiscos. Olho o céu cizento, sinto o vento frio, bebo goles e goles de água para controlar a ansiedade, nada se encaixa. A música toca como se quisesse entrar no meu coração e dizer "Pare de deixar pedaços seus pelo caminho!". De fato espalho muitos pedaços meus e sei que não posso voltar para juntá-los, nunca posso. Peco por sonhar demais, sentir demais, me envolver demais, gostar demais. Erro ao querer tudo ao mesmo tempo. Fujo mentalmente para um lugar qualquer onde consigo ficar por 5 segundos até ser invadido por lembranças, desejos e emoções. Repito infinitas vezes que não vale a pena perder o foco, desviar o caminho, mudar de planos, pular para o incerto.
    Só que o bloquinho amarelo vai pro lixo depois de ser riscado, o céu não fica sempre cinzento, a estação muda, a noite vira dia, a música é trocada, os erros e pecados são absolvido. A fuga é inevitável quando as páginas dos livros são exploradas, as invasões são como uma doença crônica e as repetições se cansam no final do dia. Acabo a garrafa de água e me permito deixar mais alguns pedaços de mim por aí.